A INVALIDEZ DA MORTE E DO TEMPO FRENTE A LÍNGUA
O tempo é de uma morbidez grandiloqüente,
Não apaga mortes que ocupam o vácuo mental,
Mas produz ilustríssimos poemas rapidamente,
Que refletem boas coisas que não nota nosso ser animal.
O tempo é a redenção dos poetas efêmeros incapazes,
Que na enfermidade tornam-se rígidos capatazes
Da vida escrava que eles próprios aprisionaram.
E a morte no tempo?
Constelação, galáxia, astro disperso,
Num miúdo e limitado e eterno universo,
Fruto de nossa própria criação.
Nós que somos os que temem a verdade,
Nós que não entendemos que viver é eterna jovialidade,
É erguer-te na ânsia dum sim ou dum não.
Eu queria voar por entre o céu,
Queria balbuciar palavras móveis e pensantes,
Acamõesadas e Espancadas como se fossem Flores Belas,
Queria guiar os navios das mais gigantescas velas,
Abusar do que oferece minha língua (maior e mais deliciosa sobremesa).
Mas veja só que imensa beleza,
Que misticismo ela transmite em sua paciência,
Eu que não compartilho da mesma grandiloqüência da morte,
Ela que só traz a capacidade de dizer bonitas palavras quando a sorte
Se vai levando nossos entes queridos.
Ah, esquecei o tempo, esquecei sua fugacidade e esperteza,
Mas não esquecei de amar, louvar e deificar
O brilho e o esplendor de nossa língua portuguesa.
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