MIRAGEM

Fulgura distante a sombra do meu amor,

Em toda magia de sua candura,

Ainda que me assole a desventura,

Repito: por ser grande, floresce em dor.

 

 

Vejo, de longe, com imensa amargura,

Que se entrega a outra loucura,

Não contenta-lhe meu pudor,

E como o perfume duma flor,

 

 

No ar se alastra, e nele se esvanece.

Mas, quando chega a noite, solidão perdura,

E o que há de tristeza mais pura aparece.

 

 

No céu, surge a Lua, luminosa e escura,

Como o pensamento que me tortura,

E toda breve aventura que a alma não esquece.

 

L.A. Smith (Alice Barros).

12-04-08

SOCORRO!

Eu preciso de ídolos.

Deixa eu ser mais específica: a vida de todo mundo é recheada de baboseira ideológica, ídolos e CIA. Não estou criticando. Sou assim também. Só que estou me desiludindo. Encontro-me numa fase de crise ideológica, crise musical, crise filosófica, crise literária.

Quando eu tinha doze anos (nada de risos, é necessário que você, leitor, pense que isso faz muito tempo), li um livro de "crônicas afetivas" do Arnaldo Jabor. Achei uma experiência engraçada. A foto daquele homem com expressão psicótica e terninho estilo "mamãe, a política brasileira é tosca, mas eu também sou" não transparece um ser tão engraçado. Está estampado na face do Jabor que ele nasceu para criticar cinema, política, literatura. Não coisas palermas que muita gente vive, ainda que narre suas experiências com certa grandiloqüência. Então acabei meio que encantada pelo Arnaldo.

DADO - DEPOIS DO LIVRO "AMOR É PROSA, SEXO É POESIA", ARNALDO JABOR PUBLICOU "PORNOPOLÍTICA". O QUE EU JÁ NÃO CONSEGUIA IMAGINAR QUE ELE FOSSE CAPAZ DE ESCREVER ESTAVA ENTÃO MISTURADO COM POLÍTICA. TUDO BEM.

O que há de mal nisso?

DADO - DEPOIS DE "PORNOPOLÍTICA", O JABOR PUBLICOU "EU SEI QUE VOU TE AMAR". ESSE EU NÃO LI. POR QUAL MOTIVO? TIRANDO A PARTE QUE O LIVRO É "INSPIRADO" NUM FILME, A TEMÁTICA PARECE SER A MESMA QUE A DAS DUAS OUTRAS PUBLICAÇÕES ANTERIORES.

Não crie expectativas com relação a autores contemporâneos. É melhor deificar Machado de Assis, que apresentou sua genialidade e não pode mais pisar na bola. É bom ficar boquiaberto com os sonetos de Vinícius de Moraes.

Apesar da genialidade de autores brasileiros como Machado de Assis, que só tem de desvantagem a morte, preciso de alguém para falar do agora. Preciso de um comentarista à altura dessa sociedade maluca. Eu preciso de outro maluco. Eu preciso virar amiga íntima do Diogo Mainardi.

Prosseguindo...

Em síntese, eu aprecio a doçura do grande rock'n'roll, a simplicidade e inteligência da MPB  (simplicidade e inteligência? Perdão... As palavras resolveram fugir de mim hoje.), estou começando a descobrir a Bossa Nova. Mas o fato é que louvava (não tenho certeza se o verbo está no tempo que realmente deveria...) a potência da voz da insubstituível da cantora e compositora Ana Carolina. O problema? Ela está deixando de comprazer-me com seu vozeirão grave em músicas como Garganta e Uma Louca Tempestade para levantar bandeira homossexual. Quem é fã sabe da opção sexual da Ana. Levantar bandeira é outra questão... Logo ela, que nunca foi dessas coisas? Logo ela que declarou não participar de passeatas gays porque esse movimentos fazem com que a homossexualidade pareça uma doença?

Tudo bem. Nada de carpir as posturas alheias. Mas, vamos pular para coisas realmente graves. Um vocalista da banda de rock AC/DC... Deixem eu explicar a história primeiro.  Eu comecei a conhecer a banda recentemente (compreendam-me, só tenho catorze anos de existência), mas adianto para aqueles que não sabem: li que o vocalista da banda morreu afogado no próprio vômito. Eu supero. Eu supero.

Tem mais. Baixei uma música da banda de heavy metal Black Sabatth. Para quem não sabe, o famoso vocalista da banda, Ozzy Osbourne, sofre hoje de profundos distúrbios mentais, decorrentes do uso abusivo de drogas.

Como eu ia dizendo... Eu preciso de ídolos. Porque de baboseira ideológica eu já desisti.

 

 

 

 

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