PRÊMIO NOBEL PARA QUEM LER:
Sou meio multifacetada para me adequar à sociedade. Mas, no campo social, eu me viro. Consigo sentar-me a uma mesa de pessoas mais velhas que eu e dar uma impressão de intelectualizada (geralmente, as coisas funcionam por impressões). E também sei ser moderna quando é preciso. Além do mais, acredito que não existe idade mais avançada. Cada um tem a idade que quer ter. Só que as carquilhas sempre vêm. De um jeito ou de outro, mas vêm.
Ensinaram-me: nunca fale sobre aquilo que desconhece. Mas, se você realmente desejar passar uma imagem favorável a todos e mostrar-se integrado a tudo, procure concordar. Ou quem sabe mudar o rumo da conversa. O negócio é driblar o locutor. Não interessa o que digam. Comigo, tem funcionado. Ajuda a viver melhor. Ou ao menos você não conquista tantos inimigos (o que não implica dizer que terá muitos amigos).
Em todo caso, se meu planejamento comportamental for de interesse seu, está postado. Pode me difamar aqui no blog se não funcionar. No entanto, garanto que sua alma pesará menos após aprender a lidar com pessoas que gostam de falar (faça o que eu falo e não o que eu faço - eu também falo demais, seu palerma!).
Situação 1:
Sabe aquele amigo que chega para contar-lhe todo seu dia de trabalho para você? Reclama do calor, do inferno cotidiano, da secretária vadia?
Você sacode o pescoço e passa a mão sobre a cabeça. Dá aquela impressão de assunto encerrado. No mais, se precisar, você diz:
"- Vida dura, essa sua, hein?".
*Obs: Importante - não deixar que ele responda a seu comentário.
Situação 2:
Lembra daquela amiga que não te vê faz pouco mais de meia hora e já dá aqueles gritinhos histéricos? Que vem falando umas coisas melosas? É mais ou menos assim:
"- Oh, meu amor! Estava morrendo de saudades! Você não sabe o que aconteceu...".
Preste atenção que esse momento é fundamental: ela falará o nome de um envolvido no caso que contará. Provavelmente dirá:
"- Sabe o Ricardinho? O marido da prima da cunhada da avó paterna da Joana?".
Ela não esperará você consentir e prosseguirá:
" - A prima da vizinha do tio da amante da namorada do primo da avó dele me contou horrores! Você ficou sabendo?".
Sim. Você já ficou sabendo. Isso porque, mesmo que você já saiba, ela espera que você peça para contar. É muito simples. Apenas responda:
" - Eu fiquei sabendo. Um absurdo! Nunca imaginei. Mas tem algo que eu preciso contar-lhe. Eu... Eu... Eu sou amante do Ricardinho".
Nesse exato momento, Ricardinho deixa de ser o foco do diálogo e ela deixará você sozinho (a), à procura de alguém para quem possa contar a novidade.
3 - Situação 3:
Sabe aquele companheiro ladino, cheio de manha? Aquele que não vale uma lágrima, mas passa a imagem de sujeito culto? Ele chega e estende o braço, imitando a saudação nazi-fascista. E o show começa:
" - Nossa! Eu vi no History Channel um documentário sobre a vida do divino Albert Ainstein.
Ele é mesmo um gênio. Sabia que morreu tentando provar o quão estúpida é a física quântica?".
(Você sabe que ele desconhece a grafia do nome "Einstein", mas dobra a língua como ninguém para pronunciá-lo).
Respire fundo. History Channel. Então ele tem TV paga em casa. Torna tudo mais fácil. É só você responder:
" - Geralmente os documentários da TV paga são visões extremamente prêt-à-porter a respeito de gênios e homens que contribuíram para o desenvolvimento da sociedade".
Ah, esse "prêt-à-porter"! Isso doeu dentro dele. E, se você, leitor, se pergunta que diabos é isso, não responderei. Porque, na íntegra, não sei. Mas é cult. Muito cult. E tudo que é cult não precisa ser entendido, basta ser falado.
EU VOLTEI!
Após alguns dias de profundo ócio criativo (se fosse só criativo, eu ajeitava), cá estou eu novamente a digitar um negoço ("negoço" sim, nada de "negócio") que você provavelmente não vai ler (sim, você não "vai ler", nada de "não lerá"). Hahahahah!!!!! Viva a onipotência. Aqui eu posso escrever tudo. E tudo que não valha nada. E tudo errado. E dizer que está certo. E colocar muita conjunção onde não deveria. E ninguém vai me dizer que está errado. E repetir expressões e palavras livremente. Hhahahahaha!!!!
Nada como risadas virtuais forçadas.
Hahahahaha!
Não tem graça.
Não há nada que me faça rir nesse blog. Você provavelmente boceja com um gosto amargo de tédio na boca. Mas e daí?
Hahahahahaha.
Não importa.
Hhahahahaha.
Meu ócio criativo acabou. Só que ninguém entenderia meu monólogo maluco. Mas e daí?
Hahhahaha.
Os melhores textos são aqueles incompreensíveis.
Porque geralmente as pessoas elogiam aquilo que não entendem.
Hahahahaha.
Mas eu não sou pessoa.
Hahhahaha.
E daí?
Bem, o fato é que é sempre mais fácil para mim escrever sobre aquilo que não conheço.
Hhahahahaha.
EU VOLTEI!
Você provavelmente vai dar uma passadinha virtual por aqui. Que esse lugar é como se fosse minha casa. Por isso, a maioria das pessoas, no máximo, virá buscar fogo. Não faça isso. Demore. Aprecie esse NEGOÇO, mesmo que não tenha nada para se apreciar. Hahahaha!
Mas, sobretudo, se conseguir elogiar, elogie. Porque, no fundo, eu ando conformada com meu fracasso intelectual. No mais, a maioria das coisas você provavelmente não VAI ENTENDER.
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